Dura Realidade

sexta-feira, 19 de novembro de 2010


O fotógrafo Dito Ditador da Silva há tempos não fazia um ensaio que realmente expressasse a essência de sua ideologia: ele era completamente contra as palhaçadas da Ditadura Militar. Decidiu, então, fazer um ensaio sobre os artifícios da ditadura para disfarçar as constantes chacinas e “desaparecimentos” de pessoas.
Dito partiu para a primeira fase do seu ensaio: realizar longa pesquisa sobre o assunto e tentar entender um pouco do contexto da época. Dito pretendia, nesta fase, se inserir na realidade da época. Sabe como é, né? A alma de um artista precisa de motivação.
Em suas pesquisas, ele encontrou um livro do IML que comprovava que os militantes assassinados eram enterrados em valas clandestinas do cemitério de Ricardo de Albuquerque, no Rio de Janeiro. Os militantes eram dados com indigentes e jogados todos juntos em valas. Os livros demonstravam que realmente houve trocas de nomes e os militantes foram enterrados na clandestinidade pelo regime militar.

Curioso com tantas informações bombásticas, ele ainda descobriu que, na época, o jornal publicava matérias falsas para justificar a morte desses militantes. Para o jornal “O Globo”, as reportagem eram de cunho comum, feitas a partir de fontes governamentais. Já para os familiares e a instituição GTNM, as matérias continham informações inverídicas, reunidas a partir de testemunhas falsas para justificar a morte dos militantes.
Dito, cada vez mais indignado, procurou as famílias dos militantes assassinados e viu, ali, famílias que se lamentam até hoje pela morte de um ente querido. A mãe de Nonato da Fonseca mostrou com orgulho o nome de seu filho na conta de luz... Ele foi homenageado após o final da ditadura.
Dito percebeu que ali estaria o tema, os sujeitos e a essência do seu ensaio...


Em análise diplomática ...


Documento 1: Livros oficiais de registro do IML
Análise: documento autêntico e inverídico
Espécie: livro
Forma: original
Suporte: papel
Formato: livro
Gênero: textual
Contexto: Nos livros oficiais, a lista de nomes comprovaria o sepultamento em vala clandestina do cemitério de Ricardo de Albuquerque no Rio de Janeiro. Prova que alguns militantes foram enterrados como indigentes e subversivos pelo DOPS. Do ponto de vista dos familiares e do GTNM (Grupo Tortura Nunca Mais), os livros demonstram que realmente houve trocas de nomes e os militantes foram enterrados na clandestinidade pelo regime militar. Portanto, a função do documento com a titularidade do documento. No IML trata-se de um documento de identificação de corpos. Para a família, trata-se de um ato a fim de esconder a morte criminosa da ditadura militar.



Documento 2: recorte de jornal
Análise: autêntico e inverídico de acordo com uma testemunha apresentada no documentário.
Espécie: jornal
Forma: original múltiplo.
Suporte: papel
Formato: jornal
Gênero: textual.
Contexto: Para o jornal “O Globo” é uma reportagem comum feita a partir de fontes governamentais cuja função é informar o leitor. Já para os familiares e a instituição GTNM, a matéria trata de informações falsas reunidas a partir de testemunhas falsas para justificar a morte dos militantes. Nesse caso a função do documento muda de acordo com o ponto de vista do titular. Para o Jornal, mais uma matéria para preencher a pauta do dia. Para os familiares, a prova de que a ditadura militar matou vários inocentes.



Documento 3: conta de energia elétrica
Análise: autêntica e verídica.
Espécie: conta de energia elétrica
Forma: original
Suporte: papel
Formato: folha avulsa
Gênero: textual e iconográfico
Contexto: Para os moradores da Rua Marcos Nonato da Fonseca é apenas uma simples conta de luz. Para a mãe do ex-militante Marcos, esta é uma justa homenagem por sua luta contra a ditadura. A função também muda de acordo com a titularidade para o morador é uma conta a pagar, porém para a mãe é uma prestação de contas.

1 comentários:

CRIS disse...

Obrigada ! A família acradesce...